sexta-feira, 31 de outubro de 2008

DUALIDADE


Feito maré, ora me afasto, retraio e penso me guardar estando distante para, em seguida, regressar ocupando espaços, abraçando territórios e preenchendo vazios.
Feito estrada, busco atalhos, percorro distâncias, me perco em desvios na tentativa de liberdade, para, em seguida, perceber-me perdida sem seus sinais.
Feito chuva, ameaço, trago confusão e mudo o céu. Ora caio pesada, sem piedade; ora sou alivio em meio à seca. Dependo do chão que me recebe.
Feito vento, posso ser furacão e desarrumar, desordenar e destruir, mas me posso brisa que alivia dias secos tornando-os suaves e de paz.
Possuo extremos, desfaço-me em contradições e desejos imprecisos. Sou quem dá vida; sou quem a toma. Minha coragem se esvai ao primeiro “ai” que brote de mim; meu viço ressurge ao primeiro “oi” que venha de ti.
Sou força, energia e calor, sendo morte, fraqueza e friagem. Duas que em mim convivem, me desarmando quando se afastas e me tornando guerreira quando seu amor é presente, escudo a me proteger de toda e qualquer ameaça e arma capaz de combater toda e qualquer possibilidade de não ser feliz.

Amor é amor...

Hoje li uma matéria muito interessante sobre como o ser humano busca no outro um sistema imunológico complementar ao seu, a fim de gerar filhos geneticamente mais perfeitos e imunes a vírus. Segundo o estudo, detectamos tal complementaridade através do cheiro. Nos sentimos atraídos pelo cheiro daquele que completará aquilo que nos falta, no que se refere a defesas do corpo contra doenças ou viroses.
Fiquei aqui pensando se meu metabolismo é torto ou se o resultado deste estudo foi equivocado. Há quase oito anos me apaixonei por palavras, escritas por mim e para mim; me encantei, depois de alguns dias, por uma voz rouca, tão deliciosamente gostosa que me fazia perder noites de sono apenas para ouvi-la, sem nunca me cansar (por mais que a orelha doesse). Depois me encantei por um senso de humor afiado, uma inteligência apurada e um jeito de ver a vida de forma muito semelhante à minha.
O cheiro, esse só fui sentir após meses (e tenho que confessar que, até hoje, me faz viajar em lembranças e sensações), mas aí meu sistema imunológico já havia se rendido completamente e, ainda que o dele fosse exatamente igual ou que nada tivesse a acrescentar ao meu, já era bem tarde, a paixão era intensa e irremediável.
Não o escolhi pelo cheiro ou para complementar algo que me falta geneticamente, mas para preencher os vazios que existiam na minha alma, corpo e vida.
Me completa, me faz sentir amada e capaz de superar todas as dores que a vida, tão freqüentemente, deixa em minha porta.
Abandonei as águas, atraquei neste porto, onde penso permanecer até o último segundo do meu tempo, protegida e com a certeza de, por mais que, por vezes, tempestades e ventanias me afastem deste cais, é para ele que sempre retorno. É onde está minha casa, é onde sempre permanecerá meu coração.
Que a ciência explique o universo e o metabolismo dos seres vivos, mas o coração e os sentimentos, cabe a cada um saber aquilo que lhe move e encanta.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ajuda

Houve um tempo em que eu escrevia sempre. As palavras vinham fáceis e meus dedos voavam pelo teclado, tentando acompanhar a velocidade dos meus pensamentos, que jorravam, fosse em momentos alegres ou de dor.
Perdi o ritmo, a dança, as palavras.
Quando alguém escreve, ainda que ninguém leia, tem a sensação de que compartilha com outros aquilo que lhe aflige ou alegra. Imagina que, em algum lugar, uma pessoa lerá, se identificará e aquilo servirá para que não sinta que sua dor é única, que existe a superação e a vontade de ser feliz retornará ao coração.
Quando alguém escreve, busca, através das palavras, esquecer que alguém lhe feriu, que muitas vezes o mundo é injusto e pessoas não são leais com outras pessoas. Ao invés disso, tenta mostrar que o futuro pode chegar mais rápido que qualquer um possa imaginar e que felicidade nem sempre é tão rara.
Quando alguém escreve, quer descrever o mundo, interior ou exterior, para que aqueles que ainda não o conheceram, ao menos tenham uma vaga idéia do que ainda existe.
Eu não sei mais escrever. Queria, e muito, colocar em palavras o vendaval de sentimentos que me assolam, mas não consigo. Não mais.
Assim, fico esperando que, em algum lugar, alguém escreva aquilo que preciso tanto ler.
Se alguém souber onde estão estes escritos, me avisem.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Nostalgia

Deve existir algum motivo! Motivos sempre existem, aprendi isso desde muito cedo.
Cada um sabe das suas dores e motivos. Não se age pelo acaso e, por mais que doa, há que se entender que todos possuem motivações para estarem ou simplesmente deixarem de estar.
Pode parecer tolice, mas sempre penso em conversas gostosas, despreocupadas, cheias de humor e penso no quanto a gente imagina que as pessoas permanecerão sempre. Mas depois elas somem, desaparecem na poeira da vida e, quando nos damos conta, tanto tempo já se foi. Que coisa!
Tanta vida já se passou, tantas novidades envelheceram sem terem sido contadas, divididas e, quem sabe, comemoradas.
A vida manteve seu curso, ela não pára, a não ser nestes pequenos e inquietos segundos, talvez minutos, quando me lembro sempre que algumas promessas não foram feitas para se acreditar, foram apenas palavras ao vento, leves como folhas que se vão, sem deixar a sombra de sua passagem.
Ainda assim, sempre que estes minutos surgem, me pergunto por onde andarão todos aqueles que um dia dividiram retalhos de suas vidas comigo e que também vislumbraram minhas cores e dores.
Fica sempre a certeza de que não perceberam o carinho que cultivei e a saudade que deixaram, mas fica sempre também a minha vontade imensa de que, mesmo longe, pensem em mim, ao menos um pouquinho.
Eu aqui imagino sempre que estão vivendo dias melhores...

domingo, 31 de agosto de 2008

SAUDADE

Algumas pessoas deveriam ser eternas, assim como o são em nossas lembranças. Não entendo, e até seria pretensão de minha parte tentar entender as engrenagens do Universo, que faz com que algumas pessoas tão especiais, tão cheias de energia de vida partam assim, tão depressa, nos deixando orfãs de sua alegria.
Bem sei a saudade que sinto quando, em dias como hoje, escutei algumas músicas perdidas em cds no fundo da gaveta e me lembrei de você, mais que um sobrinho, irmão e cúmplice de tantas horas felizes e adolescentes, quando tudo era motivo de risos e planos, muitas vezes absurdos, de futuro. Pra você o futuro foi tão pequeno!
Decidi mergulhar nas lembranças e busquei fotos, rindo sozinha das tantas poses e bobeiras. Céus, como éramos bobos e felizes.
O céu de maio ainda me lembra você a cada vez que olho seu azul intenso e seus entardeceres alaranjados. Ainda me emociono com o vôo das garças no rio Muriaé e com algumas músicas como as que ouvi hoje, me lembrando nossos passos de dança mirabolantes.
Algumas pessoas são eternas, mesmo que somente em nossas lembranças. Que bom que assim seja.
Saudades!
Em tempo: Algumas pessoas preferem morrer em vida na vida da gente. Que pena.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Não olhe pra trás

Mais uma música que gosto neste espaço que, apesar de esporadicamente abandonado, sempre me faz retornar...

NÃO OLHE PRA TRÁS

Nem Tudo é Como Você Quer

Nem Tudo Pode Ser Perfeito

Pode Ser Fácil se Você

Ver o Mundo de Outro Jeito

Se o Que é Errado Ficou Certo

As coisas são como elas são

A sua inteligência ficou cega

De tanta Informação


Se Não faz sentido, Discorde Comigo, Não é nada demais

São águas passadas, Escolha uma estrada, E não Olhe

Não Olhe Prá Trás


Você quer Encontrar a Solução

Sem ter nenhum problema

Insistir e se preocupar demais

Cada escolha é um dilema

Como sempre Estou

Mais do seu lado que você

Siga em frente em linha reta

E não procure o que perder


Se Não faz sentido, Discorde Comigo, Não é nada demais

São águas passadas, Escolha uma estrada, E não Olhe

Não Olhe Prá Trás

domingo, 3 de agosto de 2008

CORES



A vida tem as cores que lhe damos. A minha, que por um tempo andou aquarelada, anda ganhando tons e texturas mais alegres.

Estive triste, mas venho buscando motivos pra estar feliz.

Estive só, mas venho buscando boas companhias, que me façam sentir que não sou um mero passatempo para momentos tediosos ou solitários, mas alguém que vale realmente a pena estar com...

A música tem me feito novamente cantarolar desafinado pela casa, causando risos e piadinhas que adoro ouvir; são de queridíssimos amores.

Recebi uma ligação que me deixou feliz o resto do dia. Uma amiga querida, e por tanto tempo sumida (nunca esquecida), deu o ar de sua linda graça. Mais um motivo pra ser ou estar alegre.

As férias me levaram a lugar especial, carregado de energia positiva, que me fez ver o quanto o homem pode criar maravilhas. Voltei encantada e trazendo na bagagem cores que me deixam menos desbotada (ao menos assim me sinto), pensando no quanto ainda posso e devo.
A vida está só começando e ainda me fará sorrir e gargalhar com suas pequenas-grandes surpresas, que me mostrarão que a alegria sempre vale a pena, seja ou não a alma pequena.
E para aqueles que se foram, apesar da saudade que deixaram, só tenho a dizer: que pena!


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Obrigada Marley, pelo carinho!
Beijos!

Depressão

Quem consultar o dicionário Aurélio, encontrará as seguintes definições da palavra depressão:
[Do lat. depressione.]
S. f. 1. Ato de deprimir(-se).
2. Abaixamento de nível resultante de pressão ou de peso.
3. Baixa de terreno.
4. Diminuição, redução.
5. Anat. Achatamento ou cavidade superficial.
6. Astr. Distância angular, medida sobre um círculo vertical, entre um ponto da esfera celeste abaixo do horizonte e este último; altura negativa.
7. Econ. Período de declínio acentuado no nível da atividade produtiva e do emprego.
8. Med. Diminuição de função fisiológica.
9. Psiq. Distúrbio mental caracterizado por adinamia, desânimo, sensação de cansaço, e cujo quadro muitas vezes inclui, também, ansiedade, em grau maior ou menor.
10. Fig. Abatimento moral ou físico; letargia.
Gostei da definição 6: altura negativa. Pura verdade.
A gente cresce pra dentro, se alonga na invisibilidade, abaixo do horizonte mesmo. Baixa de terreno também é interessante. A vida torna-se meio que um buraco...
Tantos termos e, ao final, quer dizer apenas que você tem vontade de morrer. Minto, nem de morrer se tem vontade, pois neste campo o que menos se sente é qualquer espécie de desejo, inclusive, de morrer.
Que ela trilhe os mesmos caminhos pelos quais chegou e nem se dê ao trabalho de despedidas...

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Triste

Hoje é segunda-feira, de um dia qualquer de maio. O azul do céu de maio é divino, de uma tonalidade única e linda (sei que já falei sobre isso, mas realmente me emociono ao ver tal cor), que me faz distrair e esquecer do tempo, olhando para o alto. Na verdade, ultimamente, como tenho olhado para o alto.
Ando tristonha, incerta, ansiosa e expectante. Ando precisando de toda a energia e luz que venha de cima para me manter à tona e otimista, caracteristica que sempre me encantou (eu, por vezes, me encanto comigo e me acho alguém bacaninha) e que não quero perder ou esquecer pelos cantos baixos do mundo. Por isso olho para o alto e espero que de lá venham boas energias, luz celeste e, quem sabe, palavras que confortem e afaguem meu espírito melancólico.
Não quero aqui (ou em qualquer outro lugar) desfiar dores ou ansiedades, mas ando me sentindo tão pozinho (desculpe o plágio, Zeca Baleiro) e não é que alguém esteja me fazendo isso. Na verdade, não sei que "coisas" me fazem assim, não sei como fiquei assim, só sei que estou assim, e isso é ruim...
Quero-me riso, ainda que não seja uma gargalhada, pode ser assim, pra começar, um risinho tímido. Depois eu pego "galeio" e continuo...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Acordando...

Ando precisando escrever apenas pelo prazer das letras, sem compromissos com regras ou formatações corretas.
Ando precisando escrever com o coração, que sempre disse tanto e anda completamente emudecido nos últimos tempos, calado pela luta diária, que mascara os tantos sentimentos que insisto em esquecer diante da realidade do cotidiano, tão vazio de poesia e sonho.
Me fiz fria, racional e hermética (um amigo diria refratária) diante desse eterno despertar, trabalhar, ser profissional, dona-de-casa, chefe de família, mãe e até pai.
Esqueci-me mulher, amante, namorada, apaixonada, enfim, esqueci-me. Ponto e pronto.
Quero-me Lucia, quero-me eu, com meus tantos devaneios e desvarios.
Ando precisando ser acordada da realidade e embalada nos sonhos, de pijama de flanela e edredons macios e quentes. É ali que acordo para o meu real mundo imaginário.

sábado, 1 de março de 2008

APRENDIZ

Era quase dia de ir embora e ele decidiu esticar a noite, talvez na esperança de fazê-la eterna, quem sabe tentativa de parar o tempo... Entre as tantas frases, chopes e tequilas, a pergunta aparentemente superficial: - Você aprendeu alguma coisa comigo? - Sim, nunca mais fiz lasanha como antes. Copiei sua receita. Leviandade responder naquele momento qualquer coisa séria. Outros assuntos, outras frases, outros bares, e não mais retornamos àquele curto diálogo, perdido entre as tantas coisas que dizemos quando percebemos que a partida está bem perto, mas hoje, quando tanto asfalto já nos separa, reflito no quanto minhas fronteiras se expandiram, inclusive as geográficas, depois que o conheci. Sim, aprendi muito e tanto com ele... Vejo hoje o que escrevo e leio com seus olhos o quanto de mel posso ter produzido. Controlo-me e busco sua ironia carregada de riso. Aprendi a descer das nuvens... Leio autores que nunca descobriria, ouço músicas que não conhecia, recebo crônicas inéditas, e melhor, feitas pra mim. Descubro-me nas linhas e entrelinhas. Aprendi a me enxergar... Ganhei um jeito de olhar que é mistura de brilho e opacidade. Depende se ele está longe ou perto. Me fiz riso, gargalho, lágrima e retorno do riso. Aprendi a me deixar levar... Exercito paciência, descubro-me irracional, controlo (tento) meus gritos, aprendo a ceder, domo ansiedades, me bato com saudades. Me faço e refaço diferente a cada dia, vinculada apenas ao amor, elo indizível ao qual me prendo voluntária. Aprendi a entrega... Aprendo-o, aprendo-me e busco incessante a fórmula mágica de Quintana, para parar o tempo "em cima do telhado, feito um catavento que perdeu as asas" e me recolher no calor das dele, que me ensinam amor, sempre e a cada dia mais.

ÀS AVESSAS

Andava insatisfeita com a vida e tudo que dizia respeito a ela já há bastante tempo. Que será que estava acontecendo que tudo que começava, ou ficava por terminar ou apenas se acabava das piores e mais loucas maneiras? Depois de muito pensar, chegou a conclusão de que o problema era ela mesma. Havia nascido com uma pequena falha de fabricação que lhe impedia de concluir satisfatoriamente qualquer tarefa, até as mais cotidianas. Culpou-se, chorou, se desesperou, até o dia em que se apaixonou. Ai foi o completo caos. Se em pequenas e desimportantes coisas já fazia tanta porcaria, imagine no abstrato e intrincado jogo de amar, suscitar e manter amor? Seria a imagem mais nítida e perfeita do fracasso. Mas ele estava ali e não tinha opções mesmo. O jeito era encarar de frente essa "coisa" que se apossa da gente e faz liquidificador das vontades e desejos daqueles que são contaminados pelo danado. Tinha certeza que seriam erros mil; acreditava-os certos e líquidos como suas pernas ao se defrontarem com o objeto do seu desejo. Histórias de contos de fadas? Pura ilusão pra essa desajeitada mulher, que fez dos erros sua principal característica. Mas como tudo ali era diferente, foi exatamente amando que aprendeu que seus erros, longe de a tornarem menor, a haviam enrijecido pras lutas cotidianas e mais condescendente para as falhas alheias, coisa imprescindível em qualquer relação. Errou uma, duas, infinitas vezes... Errou e aprendeu a refazer e refazer-se; aprendeu a perdoar e perdoar-se; a tentar e tentar novamente. Até que um dia fez tudo certinho, é certo que teve ajuda, pois descobriu que nessa vida ninguém erra sozinho. Até pra isso há que se ter companhia. Hoje, quando olha sua vida, sorri serena e é constante ouvi-la contar aos netos, que estão sempre a rodeá-la, suas inúmeras histórias dos tantos erros que cometeu. E como em contos de fadas às avessas, é assim que começa:
- Erra uma vez...

ENTRE AZUIS E LARANJAS, TE VEJO NO CÉU DE MAIO

Imagino que deves estar aí ansioso por esta resposta, mas faltou-me tempo e inspiração pra lhe escrever com o cuidado que mereces. Há tempos não nos falamos, não é? A vida faz com que, por muitas vezes, acabemos nos afastando daqueles a quem queremos tanto bem. Mas me lembro sempre de você, em especial quando a tarde cai e o céu começa a se pincelar de laranja, nestes dias frios que tenho aqui. Se lembra quando íamos de ônibus pra faculdade e adorávamos ficar olhando, naquela curva do Morro da Mangueira, o céu escandalosamente laranja? Você costumava me dizer que sentia-se energizado pela cor e desatava naquele seu riso gostoso; ríamos tanto naqueles tempos... Pois é, agora fica impossível não me lembrar de ti nestas tardes, mas o faço com uma saudade que, longe de doer, me faz sorrir. Todas as vezes que penso em você eu sorrio. Me lembro de você também durante o dia, nestes dias de maio. Engraçada esta ligação que faço entre você e o céu. Novamente é quando olho pra cima que te recordo, quando sentávamos aqui na varanda e olhávamos por horas o azul que só acontece neste mês. Me dizias que era pra você esta cor; presente de aniversário do Criador. Aqui o céu continua lindamente azul, e aí? Ainda sonhas como antes? Fantasiávamos nosso futuro tão cheio de realizações, mesmo sabendo que seria quase impossível realizá-lo daquela forma... Mas era tão bom!!!!! Eu aqui consegui pouco, mas caminhei bastante. E continuo sonhando, sempre... Outro dia ouvi que só sei escrever coisas de amor, que preciso aprender a falar do que não vivi, mas não consigo. Tudo que faço é com o coração. Continuo aquela romântica da qual tantas vezes você riu. Mas sempre desconfiei que você também o fosse, confesse. Continuo, muitas vezes, querendo fazer o tempo voltar; por outras tento analisar o amor, como bichinho de microscópio, mas ultimamente, tenho mesmo é me deixado arrastar por este furacão e nada mais faço que deixar que ele me leve onde achar que devo permanecer. Finalmente sigo um conselho seu... Continuo aqui abrindo meus arquivos de memórias e revivendo tantas coisas boas que já vivi, inclusive contigo. Não foram muitas, mas foram tantas!!!! E, a cada vez que reabro e revivo, rio, choro, deságuo e torno a rir. E sinto sua falta pra recordar e chorar e rir comigo. E me pego aqui olhando o céu, mas agora é noite e as estrelas não me dizem de ti; preciso esperar o dia renascer e com ele as lembranças. Fico esperando então sua resposta, ainda que saiba que nunca receberás a minha, pois onde estás não há correios ou e-mails. Quem sabe o céu azul de amanhã te leve meu recado?

PARTÍCULAS DO OBSCURO

Em marasmos de dias sempre iguais
Encontro-te em espaços atemporais
Mistérios que em mim se fazem constantes
Reflito e me conflito em desejos e não quereres
Não anseio ver-te, mas sonho contatos
As bocas são sempre tão iguais e mornas...
Quero-te distante, mas pretendo seus abraços
Em especial nestes dias de frio e chuva
Por onde andarás neste exato instante em que te penso?
A caminho do trabalho, disso tenho certeza
Mas podes também estar a mastigar a vida destemperada
O telefone não irá tocar, isso é previsão concreta
A campainha portanto não me chamará ao portão
O carro que buzina não me solicita presença
Apenas clama que lhe tirem dali.
Feito eu neste instante.

PRETENSÃO

Ah se eu pudesse...
Se eu pudesse ser...
o dia pra espalhar claridades e clarividências;
a noite pra chover estrelas em céus negros de almas amargas;
o amanhecer pra colorir vidas monocromáticas;
o entardecer pra suavizar em explosão de laranja sentimentos obscuros;
o fogo e queimasse as dores e mágoas;
o vento, mesmo os furacões, e levasse coisas e pessoas a outras coisas e pessoas;
a terra e nela fincasse raízes de amor e enterrasse ódios e amarguras;
a água e lavasse as palavras mal faladas, mal escritas e mal-ditas;
a chuva e transbordasse os rios de afetos e fizesse corredeiras de paixão;
as distâncias e as diminuísse na medida exata da saudade que causam;
a saudade e a substituísse por presença;
a presença e a fizesse constante;
a constancia e nunca a permitisse rotina;
Se eu pudesse o amor...
Ah se eu pudesse!
Passeando pela net, encontrei um blog de alguém que gosta do que escrevo. Acabei redescobrindo escritos antigos que eu não tinha mais. Foi bom reencontrar minhas palavras, assim como é bom saber que alguém teve o cuidado de guardar meus tantos sentimentos naquele espaço.

Passagem

É estranho pensar que somos tão vulneráveis à passagem do tempo, seja aquele contado nos relógios e calendários, seja aquele interno, dentro de cada um.
É ruim pensar que somos apagados pela borracha do tempo nas lembranças e carinhos de outros a quem dedicamos sentimentos e dividimos um pouquinho que seja do que temos de melhor (e do pior também).
Ficamos sentindo que fomos desimportantes o bastante para sermos excluídos da vida daqueles que nos abandonam e, pra ser sincera, abandono dói e incomoda tanto!
É realmente estranha a passagem do tempo, que deixa lembranças, dores, alegrias sempre recordadas e pessoas que, sem nem dizer tchau, desapareceram nas estradas tortas dos tantos caminhos que percorremos.
Mas, dificil mesmo é ficar sempre imaginando se dissemos, fizemos algo para tal "sumiço", ou foi apenas porque fomos desinteressantes o bastante para sermos esquecidos juntamente com o calendário passado do ano que acabou.
?????????????????????

domingo, 16 de dezembro de 2007

É AQUI


Agora sim, é quase férias!
Fico contando os dias para poder, finalmente, arrumar as malas (ainda se usam malas? Eu, infelizmente, convivo com muitas) e partir.
Mas, como todo ser humano, também sou paradoxal e, nem bem partí, já sinto saudades dessa terrinha calma e tranquila por natureza.
Já conheci muitos recantos: cidades pequenas, cidades grandes, inclusive uma imensa metrópole que me amedrontou. Já visitei praias, montanhas, planaltos e planícies. Guardei de cada um, além das tantas fotografias, boas lembranças e impressões, além do desejo de retornar, quem sabe um dia. Entretanto, nenhum desses lugares me fez querer não retornar à minha escondida e distante cidade de Bom Jesus.
Distante? Depende do ponto de vista, ou do ponto da estrada, afinal, como já dizia não me lembro quem, "longe é um lugar que não existe".

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

SOCORRO!


Parem o mundo que eu quero descer!
Chega de andar de carona, prefiro ir a pé!

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Natal

Já sinto o clima de natal quando ando pelas ruas da cidade. Adoro aqueles montes de sininhos nas ruas, dos pisca-piscas nas casas quando venho da escola, ruas enfeitadas, músicas natalinas.
Enquanto não chega, me vejo as voltas com meus tantos diários, quase todos preenchidos (ufa!). Depois disso, recuperação para alguns teimosos que insistiram em nada fazer nos 200 dias letivos, conselho de promoção marcado para o dia exato do meu aniversário (sacanagem). Este ano ainda terei de cumprir o tal ritual de formatura, escrever um discurso, colocar essas roupas que me fazem sentir que não sou eu, mas alguém que nunca quis ser, enfim.... Depois disso, mais um ano de trabalho se acaba e férias, sonhadas e merecidas férias...
Praia, passadinha em casa, montanha, passadinha em casa, praia, carnaval, não necessariamente nessa ordem. E lá estou recomeçando tudo outra vez. Mas sobre isso nem quero pensar agora, ainda há muito a fazer antes do natal e da chegada do papai Noel. Quem sabe nesse ano ele se lembre de mim e me mande aquele presente? Na dúvida, vou colocar meu sapatinho na janela, afinal, não tenho lareira pra pendurar uma meia.
E pra garantir um 2008 menos um monte de coisas tristes e mais outro tanto de coisas boas, separo uma roupa branca, quem sabe Iemanjá receba minhas rosas e me agradeça com pequenas surpresas felizes e Deus me sorria e irradie sua luz mais radiante.
Enquanto espero, me revisto de expectativas de que o próximo será um ano a ser lembrado especialmente entre todos os que até agora já vivi.


Feliz Natal (aos homens de boa vontade e aos que não a possuem também)

Froehliche Weihnachten

Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand

Zorionstsu Eguberri. Zoriontsu Urte Berri On

Bodo Din Shubh Lamona

Vesele Vanoce

Nedeleg laouen na bloavezh mat

Tchestita Koleda; Tchestito Rojdestvo Hristovo

Nadolig Llawen a Blwyddyn Newydd Dda

Merry Christmas

Nollaig Chridheil agus Bliadhna Mhath Ur

Gajan Kristnaskon

Sretan Bozic or Vesele vianoce

Vesele Bozicne. Screcno Novo Leto

Feliz Navidad!

Roomsaid Joulu Puhi

Cristmas-e-shoma mobarak bashad

Hyvaa joulua

Joyeux Noel

Noflike Krystdagen en in protte Lok en Seine yn it Nije Jier!

Nadolig Llawen

Kala Christouyenna!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Filha do Vento (ou divagações do inconsciente)

Primeiro foi uma vertigem. Rápida, foi-se num átimo de segundo levando-a a pensar que nem existira.
No dia seguinte ficou o suficiente para fazê-la cair. No chão, perguntou-se depois a que viera, indagação sem resposta em meio à multidão que lhe rodeava.
Sucessão de dias cheios de ínfimos tempos de não-ser, não-estar, não saber-se quem, onde ou porque. Pequenos vácuos de memórias povoando sua vida habitada de buracos de inconsciência.
Acostumou-se àqueles pequenos nadas que, se não lhe acrescentava, tampouco lhe tomava. Só se sabia girando rápido para, logo depois, ver-se caminhando serena entre a multidão que, assombrada, lhe via fugir-se e recobrar-se como quem pisca perante a luz.
Não tinha consciência se perdia-se muito ou pouco. O tempo deixara de ter significado maior que dias e noites sucedendo-se em velocidade oscilante, dependendo do sopro inconsciente que fazia o grande cata-vento de seu cérebro girar ou estacar de solavanco quando menos esperava.
Girava, parava, girava e tornava a parar. Até que num dia de forte ventania interna alçou-se pelos céus.
Sua última imagem foram pontos coloridos, piscando distantes entre nuvens brancas de um céu de novembro.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Se tu me esqueces

Quero que saibas uma coisa.
Tu já sabes o que é:
Se olho a lua de cristal, o ramo rubro do lento outono em minha janela, se toco junto ao fogo a implacável cinza ou o enrugado corpo da madeira, tudo me leva a ti, como se tudo o que existe, aromas, luz, metais, fossem pequenos barcos que navegam para estas tuas ilhas que me aguardam.
Pois, ora, se pouco a pouco deixas de me amar, de te amar, pouco a pouco, deixarei.
Se de repente me esqueces, não me procures, já te esqueci também.
Se consideras longe e louco o vento de bandeiras que canta minha vida e te decides a me deixar na margem do coração no qual tenho raízes, pensa que nesse dia a essa hora levantarei os braços e me nascerão raízes procurando outra terra.
Porém, se cada dia, cada hora, sentes que a mim estás destinada com doçura implacável, se cada dia se ergue uma flor a teus lábios me buscando, ai, amor meu, em mim todo esse fogo se repete, em mim nada se apaga nem se esquece, do teu amor, amada, o meu se nutre, e enquanto vivas estará em teus braços e sem sair dos meus.
Neruda
Na falta do que escrever, leio.

domingo, 28 de outubro de 2007

"porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse é o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência."

Caio F., in Vai passar.

Música

Tudo que vai...

Deixa sempre tanto...
Leva sempre demais...

sábado, 27 de outubro de 2007

Para uma noite chuvosa

Há tantas vidas vazias e inúteis, desperdiçadas pelo não agir, não se importar, enfim, não ver além do próprio umbigo. Hoje, assistindo um filme que ganhei há quase 1 mês e que, por trabalhar mais do que devia, ainda não tinha parado pra ver, me emocionei e chorei sozinha, esquentando meus travesseiros já mornos do calor infernal que assola essa terrinha esquecida.
Raríssimos filmes me fazem chorar. Abro aqui duas exceções para Philadelfia e A Casa dos Espíritos, os quais posso assistir mil vezes e mil vezes chorarei feito criança. Eles, os filmes, me doem profundamente. Tanto que permaneço pesada de tristeza horas após tê-los visto. Entretanto, não foi nenhum deles que assisti hoje, mas Batismo de Sangue, adaptado do livro homônimo de Frei Beto.
Sempre me emocionei com a história de Frei Tito, de sua pureza, de sua crença na bondade das pessoas, de sua religiosidade inocente. Gostaria de tê-lo conhecido. Gostaria que ele tivesse resistido, que seu espírito puro não tivesse se contaminado com os demônios torturadores que lhe tiraram a vida bem antes de sua morte.
Gostaria de viver em um país menos ignorante, onde sou obrigada a ouvir que bom era no tempo dos militares. Gostaria que aqueles que ainda defendem tais métodos de governo (e de assassinatos) que levou tantos meninos e meninas a pegarem em armas em busca de liberdade pudessem entender que, por mais que tenham conseguido lucros pessoais neste período (acredito que somente aqueles que obtiveram vantagens pessoais, direta ou indiretamente, defendem um regime de exceção), as tantas mortes de pessoas decentes que hoje poderiam estar fazendo diferença neste país são impagáveis.
Ao mesmo tempo me pergunto: de que valeu tudo aquilo? Temos uma democracia e um país povoado de adolescentes (e até adultos) pequeno-burgueses, alienados, que se preocupam, quando muito, com a etiqueta do jeans ou do tênis. É a geração modinha, uniformizada, que jamais entenderia a rebeldia daquela outra juventude que abria mão da própria vida, crendo que venceriam a ditadura militar, altamente organizada e amparada por padrinhos poderosos.
Queria ter pertencido à geração de Frei Tito. Nasci tarde. Assim, me resta torcer para que esta mancha vergonhosa em nossa história não se repita, pois, se vier a acontecer, penso que caberá a nós, quase velhos, fazermos o papel daqueles jovens.
Teríamos aquela coragem ? Estaríamos dispostos a morrer por este país?
Penso que não. Infelizmente penso que não, pois nçao são muitos os que crêem que seja " preferível morrer a perder a vida".
_______________________________________
Quando secar o rio da minha infância secará toda dor.
Quando os regatos límpidos de meu ser secarem
minh'alma perderá sua força.
Buscarei, então, pastagens distantes
lá onde o ódio não tem teto para repousar.
Ali erguerei uma tenda junto aos bosques.
Todas as tardes me deitarei na relva
e nos dias silenciosos farei minha oração.
Meu eterno canto de amor:
expressão pura de minha mais profunda angústia.
Nos dias primaveris, colherei flores
para meu jardim da saudade.
Assim, exterminarei a lembrança de um passado sombrio.
Frei Tito, 1972

domingo, 21 de outubro de 2007

Não sei como me defender dessa ternura que cresce escondida e, de repente, salta para fora de mim, querendo atingir todo mundo. Tão inesperada quanto a vontade de ferir, e com o mesmo ímpeto, a mesma densidade. Mas é mais frustrante. Sempre encontro a quem magoar com uma palavra ou um gesto. Mas nunca alguém que eu possa acariciar os cabelos, apertar a mão ou deitar a cabeça no ombro. Sempre o mesmo círculo vicioso : da solidão nasce a ternura, da ternura frustrada a agressão, e da agressividade torna a surgir a solidão. Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre sede no fim.
Caio F.
O calor voltou e trouxe consigo milhões de bichinhos de luz.
Parecem gente triste ao redor de quem lhes traga um pouco de alegria.
Como tais, dão pena em quem vê.
Prefiro apagar todas as luzes...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Bailarina


"Tenho pensado se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos tombos - embora sempre os tenha evitado.

Aprendi que minhas delicadezas nem sempre são suficientes para despertar a suavidade alheia. E mesmo assim, ainda insisto".


Caio F., in Morangos Mofados



E porque hoje é sexta-feira,

E porque, finalmente, chove

E porque a vida é boa, apesar

Escuto Elton John (Tiny Dance)

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Nostalgia

Engraçado como lembranças de coisas e pessoas que passam ficam tatuadas em lugares estranhos em nossas vidas. De repente estamos arrumando gavetas de armários que mexemos diariamente e lá encontramos retalhos de lembranças displicentemente jogados e nos voltamos a conversas passadas, a lugares quase esquecidos, a pessoas há tanto não vistas.
Arrumando minha bolsa para mais um feriado, me deparei com uma blusa esquecida no cantinho do armário. Adorava usá-la, me fazia lembrar sempre daquele presente luminoso, único, que amei com a mesma intensidade do amor que sentia por quem me presenteava. A cor suave, o brilho discreto, tudo nela era feito pra mim.
Quem sabe o tempo esfrie um pouquinho e eu possa usá-la? Mas, mesmo que o calor perdure nestes dias, levo comigo minha linda, suave e repleta de lembranças blusa. Quem sabe ela me faça retornar a dias tão luminosos quanto aquele em que a recebi.
É só uma blusa, assim como o elefantinho de madeira com o qual marco meus livros, mas tão repletos de cheiros imaginados, de momentos vividos e tão vívidos na memória que, ao simples toque, me fazem desejar poderes de congelar o tempo e o espaço em busca de toques, sentires e alegrias quase esquecidas, mas que ainda persistem em se manter guardadas, esperando apenas um toque descuidado para renascerem com a mesma força com que foram sentidas nestes tantos períodos de vida que, por mais ilusórios que hoje possam parecer, foram reais e intensos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sexta-Feira

A semana finalmente terminou. Mostrou-se longa demais, ao contrário de tantas outras que parecem correr com a mesma pressa que tenho de vê-las passarem.
Hoje, sexta-feira, quando a maioria do mundo está, a esta hora, se preparando para os tantos programas esperados desde o fim de semana anterior, aqui estou, em minha caverna, ermitã que sou, ouvindo velhas músicas e tentando resgatar um pouquinho que seja da que um dia fui. Chego a pensar que, com exceção da superfície, gasta pelo tempo, mantenho muito de muitos anos atrás. Ainda sonho sonhos românticos, choro e me emociono com cenas há tanto vividas e outras que espero viver, enfim, não perdi em definitivo minha herança de emoções, apesar das tantas tentativas em ser mais racional.
Quando só, envolta nas lembranças, embalada por músicas que fizeram com que eu chorasse ou risse em outros tempos, ainda me embriago nas emoções e esqueço que a razão é importante, na verdade essencial para a sobrevida do espírito.
Amanhã me recomponho, busco a racionalidade e volto a ser normal. Hoje me deixo voltar a ser passional e me permito sonhar impossíveis, na certeza de que, ao menos nos sonhos, não se fere ou se é ferido.
Me envolvo e me deixo envolver com venenos que, sei, seriam mortais, apesar de eternamente doces.
Que todo o resto fique para amanhã...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007


Quando dançarmos, os anjos fugirão e esconderão suas asas!
(When we dance - Sting)

Inverno

Ontem o tempo mudou e o inverno parece ter se arrependido de ir embora, talvez tenha voltado para se despedir. O certo é que o frio está de volta e, com ele, os casacos, edredons e aquelas noites de sono gostoso, sem ruídos de aparelhos que me façam sentir que a temperatura é suportável.
Gosto de dias frios, quando o perfume permanece mais tempo na pele, ficamos mais elegantes e sem aquele aspecto de ter corrido uma maratona, entretanto, as noites frias não me agradam além do fato de me permitirem dormir melhor.
Noites frias, para mim, são sinônimo de solidão. Faltam braços, abraços, quentura, enfim. O frio parece nos mostrar o quanto somos sós e vulneráveis à solidão; o quanto somos pequenos quando sozinhos.
Tosei meu cãozinho, não sabia do frio que chegaria. Ele também ressente-se e quer aconchego. Agora dorme em meu colo enquanto tento escrever. Quem sabe a friagem tenha invadido também a sua alma e, como eu, quer apenas sentir-se par, que possui alguém que lhe aquecerá o corpo e o espírito. Penso então que o frio faz mal ao cérebro e deixa-nos fantasiosos demais.
Hoje alguém disse que faço falta quando distante. Nenhum diálogo romântico, colegas de trabalho, quisera fosse alguém me ansiando, descontente também com o frio solitário, descobrindo calor ao meu redor, em mim...
Somos mesmo muito frágeis, por mais que tentemos manter nossas máscaras de coragem e independência. Será o frio quem as tira e nos deixa nus diante de nós mesmos, despreparados para perceber que nossa força é um engodo, nossa coragem é uma balela e nossa auto-suficiência a maior mentira que insistimos em nos dizer a cada dia quando, diante do espelho, nos dizemos que nos bastamos e não queremos ou precisamos de alguém que nos diga o quanto somos importantes e amados.
Decididamente, acho que não gosto do frio; ele me mostra alguém que não quero ou que já me esqueci como ser. Quem sabe amanhã ele se vá...
"amanhã ou depois, tanto faz se depois for nunca mais..."

domingo, 23 de setembro de 2007

Eu nunca me senti assim

Hoje é o primeiro domingo de primavera, apesar de parecer verão. Tenho muito a fazer, mas confesso que não ando lá com muita vontade de me mexer. Já li o jornal (violência, violência e conxavos políticos, isso deveria ser proibido aos domingos) e meus e-mails (tantas coisas repassadas, que já recebi vezes sem fim) e agora parei para ouvir um cd de um filme. Quando assisto filmes gosto de perceber se, além de boa história, há um bom gosto musical.
A Casa do Lago é uma historinha interessante, meio fantástica (assim como a vida) e que tem uma música linda do Paul (o McCartney).
Eu nunca me senti assim, ele canta. Eu também nunca me senti assim tantas vezes. Algumas dores, outras alegrias, umas paixões, um amor...
Quantas vezes será que dizemos (ou pensamos): eu nunca me senti assim!
Quantas ainda diremos (ou pensaremos)...
Queria mesmo era uma experiência feito a do filme (será?), atípica, incomum, que fosse realmente algo novo e que me fizesse ter certeza de nunca ter me sentido daquela forma, quem sabe me fizesse querer nunca mais me sentir de outra forma...
Quisera viver as cores de Hollywood, ainda que apenas durante este domingo silencioso e comum, mesmo sendo o primeiro da primavera.
This Never Happened Before - Paul McCartney

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

MÚSICA 3

Há muito tempo atrás, quando ainda ouvia rádio uol, encontrei um cd que me seduziu do início ao fim. A banda era REM, de quem já conhecia algumas coisas e o cd era Automatic for the People. No dia seguinte fui à única loja de minha cidade e comprei. Logo de cara, me apaixonei por Man on the moon, que ouvi infinitas vezes.
Outro dia, lendo um livro sobre Curt Cobain, me deparei com esta música, que ele ouviu diversas vezes antes de dar cabo da própria vida. Descobri também que ela foi feita para um filme do mesmo nome, sobre um comediante americano, Andy Kaufman.
As duas situações são tristes e fico imaginando o poder que a música tem em cada um que a ouve. Em mim, longe de pensamentos suicidas ou vidas desperdiçadas, esta música me transmite energias positivas, me deixa leve, com vontade de dançar, e é por este motivo que ela entra neste espaço.

domingo, 2 de setembro de 2007

Música, remédio da alma - 2

Beach Boys
I can hear music

Também uma música que me faz viajar...

sábado, 1 de setembro de 2007

Família, família...



Envelheço.
Ao encontrar esta fotografia, percebo quão inexorável é o tempo. Parece que foi ontem que foi tirada por um fotógrafo amigo da família, de nome Gustavo (será que ainda vive? creio que não), que vezenquando aparecia em nossa casa munido de sua máquina fotográfica e se deliciava tirando fotos de toda a família.
Não sei porque, mas não gostava dele, coisa de criança, penso eu. Na verdade, ele implicava com o cordão que carregava minha inseparável chupeta. Meu ritual de dormir era enrolar este cordão ao redor do nariz até não me lembrar de mais nada. Meu irmão também implicava, mas dele é impossível não gostar. Até hoje, quando juntos, ele faz questão de me lembrar do dia em que nasci, do quanto chovia forte e de como foi impossível buscar um médico, pois as estradas estavam intrasitáveis, com uma ponte caída no meio. O resultado disso foi meu parto sendo feito pelo farmacêutico do lugar, escolhido depois para meu padrinho, talvez por ter conseguido me trazer ao mundo, torta mas viva.
Sou a mais nova de 3 irmãs nascidas do terceiro casamento de meu pai. Além delas, tenho mais 14 irmãos, resultado dos casamentos anteriores. Meu pai gostava de se casar, penso eu, mas gostava também de ser pai. Somos uma grande e unida família, com as alegrias e dores de qualquer outra, o que se deve ao patriarcalismo do velho Christovão, espanhol de sangue e de coração, que nos deixou sua honradez e educação como herança maior.
Mas eu dizia que envelheço. Nesta foto eu tinha menos de 2 anos, ou seja, foi tirada a pouco mais de 40 e ainda parece que foi ontem. As perninhas tortas são visíveis (foram corrigidas com dolorosas e pesadas botas), a cabeça também é torta, mas até hoje não se percebe bem, além de, pelo menos internamente, nunca ter sido desentortada.
Acho que não disse, mas sou a que está com a indefectível chupeta.
Vivíamos em uma chácara, com espaços imensos para brincar e nos machucar, mas eu era quietinha, ao contrário de minha irmã do meio, que era o desassossego em pessoa (na foto parece uma ladie, puro engano). Todas as manhãs, quando o caseiro do sítio de meu pai vinha trazer o leite, eu ia passear, montada na velha e mansa égua Violeta. Mal chegava e já pedia pra voltar, gostava mesmo era do passeio.
Levei corrida de touros, de bezerros, tomei banho de valão (assim chamávamos os riachos que cortavam as propriedades), corria descalça pelas ruas e quintal. Até que acabou. Mudamos para a cidade (pequena, mas cidade), onde vivo até hoje.
Nunca mais quis voltar ao lugar onde nasci, não gosto de lá, apesar de amar as boas lembranças daqueles tempos. Hoje gosto de grandes cidades, do anonimato que elas proporcionam e me arrepio ao pensar nas conversas de calçada, nas pessoas que iam À minha casa para assistir TV, em um tempo que poucos a possuíam. Será que minha mãe se incomodava com aquelas invasões diárias? Talvez até gostasse...
Acho que a passagem desses quase 40 anos me deixaram menos sociável, menos interessada na maioria da população deste planeta. Quanto mais envelheço, menos quero pessoas à minha volta, com exceção destas duas irmãs, que estão sempre ao meu lado, moram ao lado, na verdade. Dividem mais suas vidas comigo do que eu com elas; escuto-as mais do que falo; aconselho mais do que sou aconselhada, apesar de ser a mais nova das três, o que me leva à constatação de que envelheço.
O fato de estar envelhecendo não me desagrada, gosto do que me tornei, apesar de lamentar o aprendizado de coisas tão essenciais somente após tanto tempo. Resta a certeza de que melhor aprender no fim do que em momento algum.

Música, remédio para a alma

Aprendi hoje, bisbilhotando site alheio, que pode-se colocar uma música para tocar aqui. Desta forma, vou começar com esta que adoro muito.
Tomara que dê certo.

George Harrison - Gime Me Love

domingo, 26 de agosto de 2007

Algumas manias....


1. Sonhar antes de dormir.
2. Começar as frases com “não”, mesmo quando estou concordando com o interlocutor. (Não, eu acho que você tem razão).
3. Olhar por cima dos óculos, mesmo sabendo que nada irei enxergar fora do campo das lentes.
4. Escutar uma música diversas vezes, depois fazer a mesma coisa com outra.
5. Comprar vários perfumes e usar apenas um.
6. Dormir com a cama cheia de travesseiros.
7. Manter o controle remoto da tv no canto da cama, ainda que nunca a ligue no meio da noite.
8. Ficar longo tempo parada pensando em coisas ou pessoas.
9. Colocar o celular pra despertar bem mais cedo e apertar a soneca umas 4 ou 5 vezes antes de me levantar.
10. Ter longos monólogos com meu cachorrinho.

Claro que devo ter mais algumas milhares de manias, mas quem não tem? O inocente atire a primeira pedra.

sábado, 25 de agosto de 2007

Meu Frederico...

Hosted by myPhotoHut.com

Como este é um espaço onde guardo parte dos meus sentimentos, cabe aqui meu companheirinho constante.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

ENERGIA VITAL

Você é meu fogo, que me ferve o sangue de paixão, algumas vezes de dor, e que me faz a adrenalina subir sempre e mais. Descida de montanha-russa ou qualquer outro desses esportes que viciam pelo tanto de emoção que despertam, assim é você.
Me queimo em ti, torno-me brasa incandescente em suas mãos. Me queimo, será que te queimo ?
Você é meu ar, aquele que me abraça em caricias quando tudo é só calor e, feito folha desgarrada, me deixo levar por ti para territórios desconhecidos, mas que se mostram paraísos pela tua presença.
Me abasteço de você, sou nada quando não é em minha direção que sopra. E, basta que se volte a mim, para que eu seja tudo, seja mulher enfim.
Você é minha terra, aquela que me ampara e recebe em momentos de alegria ou dor e, quando sente que fujo, me puxa de volta em doce abraço e calor.
Me faz semente fértil em seu chão, que me recebe e recobre em caricias onde torno-me raiz, eternamente emaranhada em seu solo. Me aquece, será que te sufoco ?
Você é minha água, aquela na qual mergulho meus sonhos e desejos, até os que ainda nem descobri ter. Feito corredeira, me toma inteira e eu, sem resistir, deixo que me lave, que me leve.
Em seus vais e vens de mar, sou areia que se deixa lamber e perco-me em mil partículas de luz e prazer. Me mata a sede, me molha o corpo e a alma e me derrete a cada passagem.
Elementos opostos, apostos, que te reúnem, te definem e me fazem eterna amante das energias que me envias.

MEUS PECADOS CAPITAIS

Desde que te conheci ando cometendo mais e mais pecados...

Me enxergo em seus olhos e me vejo bela, sedutora. Deixo que uma sensualidade que só você enxerga se aposse de mim. Soberba, creio-me a mais adorada e desejada; a que possui tudo daquele por quem é amada...

Quando me tocas sou animal que se guia por cheiros, toques e delírios. Mulher passional, dominada pela luxúria e prazer, viva e revivida por suas mãos, que conhecem de cor minha geografia; perco-me desvendando a sua.

Preguiçosa, permito que meu corpo se aquiete ao lado do seu quando, cansados por percorremos tantas trilhas, reais ou imaginárias, em busca do gozo que nos transporta a dimensões desconhecidas.

Guardo cada toque, palavra ou beijo. Segredos que confessamos sem medos ou pudores. Não os divido com ninguém; escondo-os feito doces que não quero repartir. São apenas nossos e, avarenta, oculto-os do resto do mundo.

Em nossas desmedidas e dolorosas partidas, quando a razão perde espaço à emoção, domina-me uma imensa ira ante a impotência da possibilidade de perceber-me sem ti.

Cada ausência é suplicio. Tenho fome inesgotável de tua presença aqui, cada vez mais perto. E, quando juntos, quanto mais me abasteço, maior a gula, maior a vontade de estar mais e mais... Fome constante e nunca saciada.

Tenho inveja, confesso que tenho, do lençol que te aninha todas as noites, da roupa que te cobre o corpo tão meu, do cãozinho que recebe seus carinhos diários, enfim, de tudo que te rodeia enquanto eu, te amando tanto, tenho que estar tão longe.

Me fizeste transgressora que quer continuar a cometer estes pecados pelo tempo que a existência permitir, pois me alimento deles e é através de cada um que torno-me mais e mais a mulher que nem imaginava ser.

Doces pecados, que eu viva muito para cometê-los...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

DANÇA DOS ELEMENTOS

Estradas desconhecidas percorro sem conseguir orientar-me. Apenas sigo rumo ao horizonte que descortina-se à minha frente.
Não imagino o que posso encontrar na linha de chegada; nem sei se esta linha existe ou se a alcançarei. Apenas sigo. Fiz da caminhada minha razão de viver; meu objetivo maior.
O desconhecido não me amedronta. Caminho confiante, pois vejo que há alguém do outro lado a me esperar. Alguém que me anseia na mesma medida da minha própria ansiedade.
Alguém que se impacienta quando não chego ou se me demoro.
Alguém que se descontrola se crê que não chegarei.
Este alguém é feito nas minhas medidas.
É furacão, vulcão, tempestade de verão.
Amor incontrolável... Que ama sem limites, barreiras ou censuras...
Sentimento grande e forte demais para este mundo de superficialidades.
E ainda assim eu amo. E continuarei sentindo enquanto caminho...
Criarei raios pelos céus... Clamarei incessantemente que as águas se encrespem...
Bradarei aos ventos que se apressem e formem imensos furacões...
E, quando já nada se enxergar além desta união de sentires descontrolados, me verão no centro de todos eles... Serei eles...
Transmutação inexplicável de fogo, ar, água e terra.
A terra, que sou em momentos de lucidez e sensatez.
O ar, leve e rarefeito, suave e refrescante como o amor que me guia.
A água, elemento mágico e vital em minha vida, flui e renova dores e amores.
E o fogo, que incendeia e queima ardentemente quando meu corpo toca e sente o seu.
E somos então seres mágicos que reconstroem o universo.
Criamos estrelas e luas a cada amanhecer para iluminar nossos caminhos.
Libertamos raios de sol a cada anoitecer para aquecer as frias noites.
Conjugamos os elementos vitais de que somos formados.
Você, Terra sólida, segura meus sonhos e os mantém contigo.
Eu, Água fluídica. percorro seu território e nele me perco.
E já não somos dois, somos barro que dá vida ao Homem. Conjunção perfeita dos elementos primordiais.
Você, Ar que transporta meus sonhos e os transforma em realidade.
Eu, Fogo incontrolável, Lume ardente que aumenta ao encontrá-lo.
Ar que reaviva incessantemente esta chama eterna. Fogo alimentado...
E o que seriamos sós? Elemento singular, sem força ou energia.
Elementos inúteis e sem razão de existência.
Terra árida.
Água parada.
Ar saturado.
Fogo extinto...
Cinzas mortas.
Vidas estagnadas.
Caminhos fechados.
Então que venha a impaciência, a ansiedade.
Que sejamos sempre incontroláveis ao amar.
É do seu descontrole que vem sua força.
É na sua ansiedade que buscamos o outro.
É na sua loucura que alcançamos a eternidade.

MAR DE EMOÇÕES

Mares bravios enfrentei,
Na esperança de dominar emoções.
Na certeza da minha onipotência,
Lutei contra ondas gigantescas de medo;
Contra marés ferozes de indecisão.
Briguei incansável contra o mar.
Briguei e perdi.
Hoje sou aprendiz de sua força;
Aprendo a cada onda que aqui chega.
Observo-as.... Envolvo-me a elas......
Sinto-as a me envolver....
E não tenho medo....Não mais.....
Aprendi que somos fortes e valentes
Quando nos deixamos levar......
Nossa força está em não lutar....
Nossa coragem reside em se entregar....
Fiz-me areia.... Recebo serena cada onda....
Serenamente vejo-as partir..... E voltar....
E assim como o mar é cíclico e sereno,
Que minha força resida na certeza
De que nada posso fazer
Quando invadida por suas marés....

HORAS TRISTES

Quando nas horas vagas e sós
Me invade a sua presença
E penso tristonha em nós
E neste fim, triste sentença

O doce amor se extinguiu
Deixou apenas lembrança
Será porque partiu?
O que deixou-me de herança?

Será que de mim sente falta?
Será que deixei saudades?
Creio que fui esquecida
Na mágoa. Vaidade. Maldade

Mas quem de nós perdeu mais?
Perdi um sonho, uma ilusão
Mas fui sincera e verdadeira
Sempre guiada pelo coração

Você perde bem mais que eu
Dispensa um amor de verdade
Sentimento que nunca morreu
Nem com a dor da saudade

Outros amores aqui chegarão
Podem até me fazer esquecer
Mas jamais me marcarão
Amor verdadeiro eu só dei a você

QUEBRA DE SILÊNCIO

Penso de ti tudo e todas as coisas...
Mágoas. Medos. Anseios. Até saudade...
E vem aquela dor pesada do engano...
Do brilho errado que vi em seus olhos...
Mas minha boca se fecha nestes momentos...
De mim nunca ouvirás palavras ofensivas...
De mim ninguém saberá as dores que senti...
Fiz do silencio meu remédio de esquecimento...
Calei-me eternamente. Este tempo nunca vivi...
Há horas de revolta em que sinto-me tomada
Pelo desejo de dizer todas as rudes palavras
Proferir todas as injúrias contra ti...
Lavá-lo das tantas lágrimas derramadas...
Mas, ainda assim, calo-me... Silêncio...
E prossigo sem rancores ou raiva...
Isso não faz parte de mim...
Mas raiva forte me domina e assalta...
Se ouço de ti falarem mal... Protesto...
Nunca lhe conheceram o riso fácil...
Jamais o acalentaram na tristeza...
Nunca lhe desvendaram os anseios...
Não possuem este direito... Invadem...
Nestas horas sou fera... Transformo-me...
E o defendo quando queria insultá-lo...
Brigo por ti aquilo que não o fiz por mim...
E nem eu mesma me entendo...
Ou entendo... Aceito...Compreendo...
Que você não errou... Eu não errei...
Apenas o mais importante e vital,
O amor, sentimento essencial...
Era dirigido à pessoa errada...
Amaste alguém que idealizou...
E eu amei o sentimento AMOR...

ANIVERSÁRIO

Aniversários são presentes...
Dia em que as energias positivas,
Os melhores pensamentos de paz,
Os mais carinhosos desejos de felicidade,
São transmitidos àqueles que queremos bem...
Dia especial em que o Criador deu à Terra
Mais um ser humano especial e único...
Dia em que começa mais uma missão...
O dia é muito especial... Dia de alegrias...
E se repete a cada ano...
Que importa se o presente não chegou?
Que importa se a distância existe?
Se o abraço não pode ser dado de perto?
Importa sempre é saber-se lembrado...
Importa sentir a energia positiva,
Que chega e nos envolve como halo de luz...
Importa é saber que, apesar de tudo,
Alguém, em algum lugar distante,
Lembra-se que é seu aniversário...
Importa é saber que, em algum lugar,
Seja este lugar longe ou perto,
Alguém deseja que neste dia especial,
A sua felicidade seja a coisa mais importante...
Que a sua alegria seja seu maior tesouro...
Que os seus amigos sejam sua eterna riqueza...
Que seus sonhos sejam realidade duradoura...
E que a Luz Divina seja seu eterno farol
A iluminar os difíceis caminhos da existência...
Receba hoje um enorme presente de paz...
O presente é um imenso desejo de felicidade...
Embrulhado cuidadosamente em papel de carinho
E amarrado delicadamente em laços de luz...

domingo, 12 de agosto de 2007

FIM

É madrugada...
A noite avança deixando em seu rastro
Um dia ansioso por chegar...
Em meio a um silencio tranqüilo
Duas pessoas se falam...
Sussurros... Sorrisos... Carinhos...
Doces e eternas palavras trocadas...
A sintonia é tão perfeita
Que quase se podem tocar...
Os únicos sons são suas vozes...
Só o que importa são suas palavras...
Sentimento forte, único...
Tentam explicar o que sentem...
Inútil... Impossível...
Só conseguem sentir e sentir cada vez mais...
Quem os olhar, imaginará ali
Lugar de paz... Paraíso sem dor...
E somente os dois sabem a verdade:
Que ali, em meio a tantos carinhos
Tem fim uma história de amor.

ENTRE A TERRA E A ÁGUIA

Entre o céu e a terra, minha alma percorre mil caminhos em busca de um lar. Nenhum lugar sente como seu. Não possui recanto onde possa descansar o corpo que carrega.
A terra, que por um tempo lhe ofereceu luz e calor, tornou-se opaca e sem o brilho cristalino da verdade. Fria e insensível às suas tormentas, não lhe viu a dor da decepção ou o brilho fugidio de um carinho crescente...
Buscou então o céu. Céu de luzes cintilantes das estrelas que ali brilharam apenas para lhe clarear as noites... Céu com seu Sol magnífico e de calor constante. Mas este mundo também não é mais seu lar...
Perdeu-se em algum ponto do inexorável tempo. Não é mais o seu recanto seguro.
Lugar frio onde não pode ficar, não mais lhe desejam ali.
Parte, alma peregrina! Busca outros templos para depositar seu amor.
Esqueça dos mundos onde já habitou. Eles passaram e se perderam. Não lhe pertencem; nunca lhe pertenceram. Foram oásis de descanso no deserto que é a tua jornada.
Siga adiante, alma errante! Os caminhos seguem sempre em frente.
A vida não desafia a natureza e corre para trás. Ela é constante em sua evolução.
Busque o mar. O mundo das águas de onde veio e onde deveria ter permanecido. Ali é teu lar e recanto. Ali reside seu coração.
Apague da memória o vôo da águia. Ela não carrega ninguém consigo. Voa bela e acompanhada apenas de outras águias. Nunca voará contigo.
Esqueça o mundo na terra. É feito de ilusões e mentiras. De brincadeiras dolorosas e cruéis.
Volte ao seu mundo das águas. Mergulhe fundo e esqueça o que viveu e ficou lá atrás. É passado. Apenas passado.
Morto, esquecido(?), dolorido...
Volte seus olhos ao que se abre hoje à sua frente. Vê a beleza que se avizinha? Percebe o sabor do novo tocar sua boca?
Essa novidade e expectativa que se aproxima e da qual você se nega a sentir o gosto. É ai que mora seu futuro, nas incertezas do que está vindo, nunca nas lembranças do que passou...
Aprenda, alma teimosa!
Se as águias voassem olhando para trás, jamais teriam vôo tão belo ou alcançariam alturas tão longínquas. Elas voam bonito porque deixam para trás as paisagens que já percorreram e seus olhos buscam o que há de novo...
Já recomeçaste por tantas vezes! Que mal lhe fará tentar mais uma vez?
Se doer, sabes que possui força suficiente para erguer-te.
Siga adiante, alma medrosa!
Esqueça as águias no céu; apague a lembrança da terra morna e mergulhe neste oceano brilhante que se descortina às suas vistas.
Entregue-se novamente ao amor! E se tiver que doer, que seja por ter vivido e seguido adiante. Nunca a dor da covardia...
Pois se ele hoje é seu maior medo, sempre foi sua maior coragem...
Se ele foi a maior mentira , também sempre foi sua maior verdade...
Se ele é seu motivo de tristeza, sempre foi seu maior brilho de alegria...
E se ele te alcançou foi porque dele você nunca fugiu...
Esqueça a terra...
Não olhe mais o vôo da águia...
Essa história já foi escrita. E terminada...

DOS MEUS SILÊNCIOS

Dos meus silêncios, há aqueles que doem e os que são de paz.
O silêncio de cumplicidade, quando falar não se faz necessário é bom;
Aquele em que qualquer coisa dita exprima mágoa e dor machuca.
A manhã silenciosa quando queremos dormir mais um pouco é presente;
A casa vazia de ruídos no dia seguinte à partida de um amor fere.
O gemido de dor incomoda e deprime;
O silêncio após os tantos gemidos de prazer é acalanto.
O fim de tarde silente, após um dia tumultuado, parece dádiva;
Fins de tardes sucedendo dias e noites caladas é tormento.
O silêncio temporário da sua ausência chama saudade e expectativa;
O silêncio definitivo do seu adeus é negrume e morte.
Pedaços de sons, retalhos de ruídos entre silêncios que ora exprimem vida,
ora remetem às tantas mortes que enfrentamos ao longo da existência.

DIAS TRISTES

Há dias em que acordamos encharcados de uma melancolia sem fim, dias em que tudo à nossa volta parece envolto em neblina. Dias embrulhados na opacidade do papel manteiga.
De onde vem esta tristeza que nos assola sem pedir licença?
E sentimos aquela tristeza penetrar em cada poro da nossa alma, sentimos quando se aloja confortavelmente no melhor sofá do coração e espalha seu perfume pelo ambiente dos sentimentos.
Ficamos impregnados de melancolia, os olhos se tornam duas estrelas embaçadas, sem brilho.
E é então que começamos a pensar, recordar, sonhar...
Pensamos na vida que levamos, nas doces presenças de pessoas queridas...
Recordamos épocas onde a inocência e a serenidade nos embalavam. Sonhamos estar lá atrás, naqueles tempos de alegria sem fim...
Sentimos a dor se aproximar e tentar entrar. Expulsá-la é o melhor remédio. Melancolia e dor são explosivos à alma...
Nestes dias, parece que os pensamentos são idosos viajantes à procura de lugar sereno a fim de descansar o corpo fatigado.
Os sentimentos embaralham-se feito cartas jogadas ao vento.
Quase conseguimos nem lembrar das tristezas que nos causaram, quase esquecemos os duros golpes recebidos friamente.
O coração, possuído pela melancolia, só recorda as alegrias. É preciso que nós, com carinho e determinação, o façamos relembrar.
É preciso exibir em tela imensa a este tolo coração, todas as cores das lágrimas cristalinas que vertemos em abundância por acreditar sempre
nas verdades que não eram nossas.
É preciso mostrar, sem lentes coloridas, todas as decepções e mágoas sofridas, não para amargurá-lo, apenas para mostrar-lhe que o ontem já passou... Acabou... Morreu...
Que a alegria foi combustível pleno que nos fez caminhar com sonhos e esperanças, que as tristezas foram nossos degraus, fortalecendo-nos e tornando-nos melhores, mas que são apenas passado... Sem mágoas ou rancores... Apenas passado...
Que as decepções, e foram tantas, tiveram o objetivo de nos fortalecer e nos ensinar a manter sempre os olhos erguidos, mesmo embaçados das lágrimas por tantas vezes derramadas mas, ainda assim, erguidos...
Nestes dias tristes em que somos invadidos por pensamentos tão desconcertantes, parece que vemos olhos familiares que nos fitavam com amor... Mas não era amor...
Parece que ouvimos sorrisos amigos e aconchegantes que nos envolviam... Mas não era amizade...
Parece que sentimos o abraço apertado e afetuoso de pessoas especiais... Mas não era carinho...
E, ao final dos felizes-dolorosos pensamentos, das doce-amargas lembranças, enxergamos que somos felizes pelo passado ser passado, por termos um presente a viver, por possuirmos um futuro a sonhar.
E o dia já nem parece tão triste...
A opacidade do papel manteiga vai sendo mansamente substituída pelo brilho do celofane...
E já quase conseguimos sorrir....

DESPEDIDA

Rendo-me diante do inevitável e inquestionável...
Perdi-me por tempo demais em devaneios, sonhos e ilusões de anseios irrealizáveis...
É chegado o momento de desprender-me de todas as amarras que me ligam a situações que não controlo ou tenho poder de decisão...
Resta-me a resignação de aceitar as impossibilidades e a coragem para seguir com firmeza ...
As mãos seguirão vazias, sem o peso de qualquer bagagem que possa dificultar a caminhada, o coração, no entanto, segue preenchido de todos os amores e carinhos que ecoaram no vazio...
Dirigidos ao vento que os levou para logo retornar e entregá-los de volta. Não encontraram destinatário. Não anseio guardá-los, mas estão tão firmemente colados aqui.
Feito folha desgarrada da árvore-mãe, fui perdendo seiva vital que me sustentava e mantinha viçosa. Carregada pela brisa ou vento forte, jogada ora para sul, ora para o norte, perdi-me.
Não tenho mais raízes de referência, não possuo o aconchego de um lugar conhecido e acolhedor. Perdi-me de mim....
Buscar o antigo, retornar ao ponto de partida é impossível. Não conseguirei colar-me à árvore e recuperar o verde de outrora. Sou folha seca e escurecida pela natureza inclemente.
Seguirei pelos cantos e atalhos. O medo de, descuidadamente, ser pisada e esmigalhada é forte. Folhas secam não se amassam; não se cicatrizam: desintegram-se.
Somente a certeza de ser folha. Que importa de qual árvore? Também não saberia dizer. Apenas folha.
Folha solitária levada pelos ventos, sem a esperança do sonho que alegra e dá cor à sua figura apagada. Sem a ânsia de uma realidade de amor imortal, carrega em si lembranças de passado preenchido de dores, saudades e amor incondicional.
Mas sigo. Mais importante que prever o destino, é saber-se caminhando...
As distâncias se aproximarão a cada vento forte.
O infinito irá se delineando a cada trecho percorrido.
Folha solitária, mas corajosa e confiante que um dia, lá adiante, quando a fragilidade do meu corpo for evidente, o vento me alcançará mais uma vez. Seu abraço me desmanchará em milhões de partículas que se espalharão pela terra.
Estarei em toda parte... Incompleta, desintegrada...
Sentimentos por tanto tempo reprimidos, agora espalhados...
A terra será adubada de amores, sonhos, saudades e esperanças...
E não estarei mais só...
Farei parte de cada elemento que dali nascer...

APRENDIZ

O ser humano em sua trajetória de vida é eterno aprendiz de si mesmo.
Descobre-se a cada experiência, desvenda-se a cada encontro.
A descoberta de qualidades nos exulta; encontrar nossos defeitos nos deprime...
Pode parecer simples à um primeiro olhar, mas descobrir-se é complexo...
Requer do ser humano muita humildade para aceitar-se imperfeito e até desconexo...
É preciso desvendar-se... Necessário enxergar-se...
Descobrir-se dói... Machuca e fere...
Processo que desarruma a casa da alma...
Expõe verdades ocultas atrás das aparências...
Desorganiza idéias e verdades absolutas...
Descobrir-se é processo lento...
Leva-se, quase sempre, toda uma vida...
E quanto mais nos buscamos, Mais temos a almejar...
Quanto mais incorretos nos descobrimos, mais necessário se torna nos aperfeiçoar...
Em algum momento sentimos a desordem. De idéias, de ideais, de valores...
Desordem absoluta... Domínio do caos...
Neste momento estamos perto, chegando mais próximos, mais dentro de nós.
Porque pra arrumar, é necessário desarrumar...
Pra se descobrir, é preciso sair de si...

SINTONIA

Há dias em que parecemos seres extraterrestres em meio aos desconhecidos e complexos habitantes do planeta Terra. Tudo que dizemos ganha outra conotação e matiz aos ouvidos daqueles a quem falamos.
Difícil estes dias de desencontro de idéias, onde ouvimos torto, dizemos torto e tudo parece enviesado. As idéias saem atropelando as palavras e acabamos por nos sentir emaranhados em meio a um mar de mal entendidos ridículos e já nem sabemos como mergulhamos em tal situação, assim como parece impossível sair ilesos dela.
Que fazer em dias assim? Não sei, mas bem queria esta resposta...
Creio saber porque isso acontece. Nestes dias, estamos muito frustrados com alguma coisa, o que nos torna sensíveis demais a tudo que vem ao nosso encontro. Acreditamos que o outro irá entender o que dizemos, sem que precisemos explicar. Pensamos, erradamente, que o vínculo existente entre ambos fará a sintonia entre a palavra dita ou escrita e o sentimento latente que está perdido e triste por algo que ansiava e que, por uma impossibilidade qualquer, torna-se distante.
Nós, em nossa pretensão, cremos no direito à compreensão desmedida sem que para isso haja troca. Esquecemos os sentimentos alheios e nos tornamos egoístas e temperamentais. O egocentrismo chega e se aloja, causando o desencontro.
Ao final, o que resta? Mágoa e palavras duras (faladas e ouvidas) que ficam latejando no ouvido do coração, porque nos momentos de desencontro somos ásperos, duros e cruéis, usando arma fatal a qualquer sensibilidade; a ironia.
Depois do desencontro vem a ressaca, também muito ruim e dolorosa. Sentimos cansaço, desânimo e vontade de abandonar tudo se isso puder trazer esquecimento.
Nos armamos em dores, nos acreditamos injustiçados e feridos e criamos muralhas à nossa volta. Há horas que choramos, como se fossemos pobres vítimas do destino, e há momentos em que nos culpamos duramente pelo desencontro ocorrido.
O certo ao final é que somos seres humanos e, como tais, passiveis de falhas. Amargurar por erros e desistir por tê-los cometido é sintoma de covardia.
Dar-lhe maior dimensão do que possui é sinal de que a sintonia não era assim tão grande, não sendo capaz de superar as pedras no caminho.
E, finalmente, pensar sempre que, se o desencontro aconteceu, foi antes precedido pelo encontro que é o que fica sempre...

SENHORA DA TEMPESTADE

Choveu aqui. Muito. Torrencialmente.
Lançou raios e trovões pelos céus e escureceu a cidade. A energia resolveu ir-se embora, talvez com medo da fúria dos ventos que ameaçavam lhe arrebentar os fios. Paramos, eu e a cidade, para ouvir os sons da natureza que se manifestava descontrolada...
A noite desenrolou-se em ritmo constante de raios e chuva. Havia horas em que eu não sabia se acontecia aleatoriamente ou se era eu a provocá-los. Sentia-me Senhora das Tempestades...
Hoje, com o dia cinzento e triste, de ressaca depois de tanta energia descarregada, fico pensando coincidências e relações estranhas entre eu e a natureza. Provoco tempestades ou elas me provocam? Desprendo energias descontroladas, lanço chispas e machuco. Sou ferida. Perco as energias e tento desistir. Fraca e inerte, torno-me cinza e quase morro.
Não quero emoções fortes; não quero as decepções que o amor carrega consigo e que são inevitáveis nos tempos de ajustes e conhecimentos. Quero a calma do não sentir, do não amar e da dormência do corpo e espírito. Amar dói, eu sempre soube. Não fui moldada à isso.
Não me encaixo mais a estes padrões de comportamento, de sutilezas que já há tempos esqueci, de trocas que já não sei mais fazer. Não sei mais jogar, e perder é sempre inevitável, mesmo quando tudo conspira para que eu vença. Perco sempre e me esgotei nas tentativas inúteis de manter junto à mim aquilo que mais desejo.
Feito folha levada pelo vento que sopra neste momento, tudo que mais quero é levado pra longe...
Corro na tentativa vã de recuperar o que perdi, mas quando sinto que está ao alcance das mãos, o vento vem e leva tudo pra longe daqui...
Não quero mais correr... Estou cansada e meu pensamento agora se volta à questões de merecimento... Se o vento leva, é porque não me acha capaz de fazer feliz... Desacelero os passos e deixo que parta...
Fico olhando e nada farei para reverter essa partida... Não mereço que fiques...
Ainda é cedo pra tentar... Não estou pronta... Ficarei só e nesta solidão buscarei acalmar os raios que insistem em se mostrar nestas escuras noites e fazer os dias cinzentos ganharem brilho...

RECOMEÇOS

A vida é um constante recomeçar.
Ela é feita de ciclos que se fecham para novamente se formarem e daí a algum tempo se fecharem novamente.
Creio que o objetivo de todos nós neste constante recomeçar é irmos formando estes ciclos cada vez com mais perfeição, com mais maturidade e, se possível, com menos sofrimentos pra nós e para os outros.
A cada novo ciclo que vivemos, no entanto, surgem situações novas que nos fazem, muitas vezes, desarmonizar aquilo que poderia ser uma bela construção, deixando aquele ciclo meio que imperfeito.
Assim é viver. É nunca atingir a perfeição, é sempre ter alguma coisa que poderia ter sido feita melhor, é sempre ficar com vontade de voltar e tentar consertar.
Por muitas vezes esta vontade de corrigir um erro nos deixa deprimidos, tristes e chorosos; nos deixa com vontade de esquecer e apagar para que o sofrimento termine logo.
Mas o tempo passa e percebemos que até aquele erro deixou coisas muito boas, muito importantes e que o esquecimento total jamais existirá.
Nossa memória somente apaga aquilo que foi ruim, deixando doces lembranças de tudo que nos acontece.
Por isso sentimos saudades; por isso somos seres verdadeiramente humanos.
Por maiores que sejam nossos erros, sempre teremos a chance de recomeçar,
tentando fazer melhor, porém jamais deixando pra trás nossa sensibilidade, nossa fragilidade, nossa pureza. É isso que nos torna diferentes dos animais. A capacidade de sentir, de se fragilizar, de pedir perdão, de dar perdão, de chorar e também de sofrer quando a dor é forte.
Mas o que nos torna mesmo humanos, é a nossa capacidade de amar, de sermos amados, seja por nossos pais, filhos, amigos ou por aquelas pessoas que entram sorrateiras e se instalam em nossos corações, fazendo com que percamos nosso eixo, nossa direção.
Assim a vida funciona. É assim que o mundo gira e evolui.
Nada acontece por acaso, tudo tem seu objetivo na construção de alguma coisa, mesmo que seja apenas na nossa própria construção. Algumas situações, que por vezes achamos difíceis de suportar, acabam nos servindo de degrau para mais um passo na lei da vida: evolução.
Triste daquele que não perdoa, que não ama, que guarda rancores... Triste daquele que não faz todo o seu possível para consertar seus erros... Triste daquele que não se exaure na busca de corrigir suas falhas...
Estes jamais alcançarão a felicidade, pois nossas vidas não devem jamais ser trancadas em cofres seguros.
Nossa vida nos é dada para que a dividamos com os outros. E é nesta divisão que crescemos, nos tornamos melhores.
Quando a dor surge é nos braços dos que nos amam que encontramos força, segurança e carinho para que não desistamos de prosseguir. Sem alguém que nos mostre que somos bons, amados e especiais ficamos à deriva, sem norte. E não nascemos pra ser barco naufragado...
Nascemos pra ser bela estrela guia que orienta e mostra o caminho àqueles que se acham perdidos.
Este é o objetivo da vida: ora guiar; ora ser guiado.
Não existe felicidade maior que ser guiado com carinho e com amor quando achamos que estamos naufragando. Sentir o abraço forte, o sorriso de ânimo, o olhar de quem se importa com a gente, a palavra que faz toda a diferença. Só quem já precisou e teve este acalanto pode saber o quanto essas coisas salvam, o quanto nos fazem sentir que valemos a pena.
Posso escrever mil folhas aqui e sei que jamais conseguirei expressar o quanto meus amigos fizeram a diferença entre sentar e chorar ou levantar a cabeça e prosseguir adiante.
Entre me entregar a uma dor ou voltar a sorrir...
Felizes e iluminados aqueles que, como eu, possuem amigos sinceros e amados.

À PROCURA DE TI

Não fui eu a te gerar
Não quis chegar tão antes
Quis o tempo de te amar
Tornei-me alma errante

Busquei-o na infância
Estavas longe demais
Perdido de mim na distância
Sequer me dava sinais

Procurei-o adolescente
Pensava que agora virias
Eu, tola e impaciente
Ele sem saber que eu existia

Adulta, forcei-me a desistir
Amei e creio ter sido amada
Mas não cheguei a sentir
Minha busca dissipada

Encontrei-o na meia idade
Quando findara minha procura
Da vida ainda tenho metade
Pra viver nesta loucura

Não fui eu a te dar um filho
Não gerei sua sonhada menina
Minha chegada não lhe deu brilho
Mas encontrá-lo era minha sina

Hoje, tanto dores como risos
Me possuem em igual medida
Rasgam minha carne sem aviso
Mas preenchem o que tenho de vida...

FLOR VENENOSA

Vai embora, meu amor
Alegria aqui é taça vazia
Que rodeia uma garrafa também vazia
Vai já, minha vida sonhada
Aqui não encontrarás consolo pra dor
Aqui não descansarás da tua fadiga
Sou poço ressequido pelo tempo
Onde sempre tem alguém jogando terra
A cada olho d’água que teima em surgir
Há carroças de areia para enterrá-lo
Que posso eu dar em troca do que me ofereces?
Impossibilidades e decepções? Não quero e não vou.
Sou planta frágil diante da fome de formigas assassinas
Elas estão me devorando tanto! Já me mataram as raízes.
Apenas espero que venham buscar minhas últimas folhas,
Estão feias e sem sabor, ressecadas pelo vento e sol.
Vai depressa, meu amor.
Aproveita meu descuido e corre pra bem longe daqui.
Pode ser que amanhã eu mude de idéia e acabe por prendê-lo.
Aproveita minha fragilidade e se vá sem demora.
Esqueça este cacto espinhento e venenoso; sempre te fará mal.
A cada aproximação espetarás um dedo e chorarás. Sou má.
Meu abraço fere; meu beijo esfola e meu amor estrangula.
Vai embora, meu amor... Vai embora...
Fui criada pra envenenar, porque teimas em me amar?
A natureza que me rodeia nunca me deixará livre
Sou parte dela e é nela que devo me consumir
Assim, como quem nem liga ou sente; apenas murcha...
Sozinha, meu amor... Sempre sozinha...
Vai, meu amor... Vai embora...

FLORES MORTAS

Sou criatura perdida nas trevas e labirintos de um coração enegrecido pelos duros golpes de amor que deu e recebeu. Amor sem cálculos ou medidas.
Desatinado em ânsia de ser aceito e sentir-se enlaçado, destruiu comportas, implodiu montanhas e incendiou florestas. Nada conseguiu a não ser um imenso deserto à sua frente.
Olha ao redor em busca de algum viço, mas só o que avista é a aridez que espalhou e multiplicou-se por quilômetros de vida.
Buscou o amor onde as sementes já a muito haviam morrido. Esqueceu que nunca preencheria um coração já transbordante de sentimento que insiste em negar.
Tolas negativas que não convencem nem ao mais medíocre indivíduo, pois transbordam dos olhos e são perceptíveis ao mais rápido e descuidado olhar.
Ah, seu olhar. Que ainda me queima e no qual ainda vejo o amor gritando por trás da imensa barreira de negativas que se impôs diante de mim.
Ainda agora, em meio às trevas que eu mesma busquei, o brilho e calor deste olhar insiste em iluminar este recanto. Brilho que afasto, ao qual não me volto. Não o mereço. Tomei rumos que não devia, mesmo sabendo da inutilidade dos caminhos.
Afastei-me da luz que me guiava com segurança, me enlaçava com carinho e envolvia no doce calor dos sentimentos verdadeiros. Busquei atalhos longínquos e falsamente tranqüilos. Perdi-me.
Não ouso buscar-te novamente. Mereces iluminar estradas sem desníveis e não atalhos de chão batido e esburacados pelas tempestades que o açoitaram.
É tempo de replantio. Renovação. Caminhar em direção às águas que lavarão as cinzas e farão retornar o viço e as cores de um tempo que a muito existiu.
Hora de varrer a fuligem e semear as flores da alegria.
Flores que, a princípio, serão tristes e desbotadas mas que ganharão matizes cada vez mais fortes e um dia, ou quem sabe nunca, este coração tornará a ser o ofuscante jardim de paixões que um dia floresceu, mas morreu por falta de quem o cuidasse...
Coração doente e criança que hoje só anseia um colo que o embale carinhosamente e lhe diga que tudo passará...
Que as tristezas, assim como a vida, são transitórias...
Coração que hoje só queria o seu colo...

FÊNIX

Durante muito tempo juntei sentimentos como a Fênix junta galhos e ramos e deles forma o ninho que será seu sepulcro.
Juntei cada amargura, cada desamor e fui aninhando-os no peito e, feito a ave, fui sentindo-os...
Quando achei que não mais os suportaria, quando acreditei que viveria cercada de dor, deitei-me sobre todos. Encharquei-me de lágrimas, sentindo-os, cada um, mansamente. Vi-os dolorosos, mas fonte de crescimento.
E ali começou minha despedida. Cuidadosamente, acendi o fogo do esquecimento e, como a Fênix, deitei-me para a morte...
Quando nada mais de vida me restava, quando a morte se apossou integralmente de mim; quando as esperanças se findaram completamente; renasci. Mais forte, mais combativa e, por que não dizer, com menos sentimentos...
Hoje, quando olho para trás, só vejo as cinzas; lembranças do que fui um dia:
Tola menina romântica e apaixonada, doce criança embriagada pelo amor. Foi ela quem se transformou em cinzas...
Renasço hoje para a vida. Sem olhos de saudade... Sem esperanças vãs...
O amor ainda será meu eterno guia, a alegria minha eterna companheira, mas as ilusões... Estas voaram ao vento, alcançaram os céus e se perderam nas nuvens...
Nuvens onde eu antes vivia, quando ainda não sabia caminhar na terra, na dura e árida terra da realidade.

ESQUECIMENTO

Esquecer seu nome
Rasgar seu telefone
Tirá-lo da memória
Apagar a nossa história
Ignorar sua cidade
Engolir essa saudade
Convencer-me que não quero
Que não mais te espero
Encarar de vez a verdade
Retornar à realidade
Encarar de frente a decepção
E retomar meu coração.

ESPERA

A muito tempo te espero...
Espero enquanto vivo...
Espero enquanto espero...
E esta espera é feliz
Porque sei que chegará.
Sim, eu tenho certeza...
Chegará com olhos brilhantes
E já me olhará com saudades,
Me abraçará apertado,
Me amará com paixão.
Me dirá que veio por mim;
Dirá que veio pra mim
Que sou seu sonho, assim como és o meu.
Sim, minha espera é feliz
Porque sei que você existe
Porque sei que em breve chegará
Porque também me anseia e espera,
Pois mesmo que ainda não saibas...
Deus te criou pra mim...

ESCREVER...ESCREVER

Escrever, escrever, escrever... Simplesmente...
Sem fim ou descanso... Indefinidamente...
Até que me faltem letras... Incansavelmente...
Até o fim de todos os dias... Eternamente...

E nem assim esgotar-me ou parar de fluir
Escrevo na esperança de não mais sentir
Que importa se não me escutam ou lêem
Tanto faz se me ignoram ou não vêem...

Não escrevo. Me desfaço em letras e rima
Embrulho de emoções que não sei ordenar
De mim nunca brotará uma obra-prima
Que importa? Eu quero apenas divagar...

E desordenada e incongruente continuo
Tudo escrevo, mas nada concluo. Recuo.
Nunca fui mesmo poetisa. Que loucura!
Sou só uma criança fazendo travessura...

SENTENÇA

Que pretende agindo assim?
Atingir-me novamente?
O que ainda queres de mim?
Por que não se mantém ausente?

Daqui já expulsei toda a dor
Que deixei que me causasse
Acreditei sempre no amor
Mas cansei de viver este impasse

Agora tudo é diferente
Não deixarei que me persiga
Sua exclusão é permanente
No livro da minha vida...

Caminho sem olhar pra trás
Nada deixei pra voltar
Agora me encontro em paz
Não quero mais retornar

Joguei fora as tristes lembranças
Tentei preservar as felizes
Medos... Culpas... Insegurança...
Arranquei-os pelas raízes...

Não quero aqui sua presença
Apesar de não lhe ter rancor
Do meu coração veio a sentença
Que encerrou este triste amor...

DIÁRIOS E DELÍRIOS

Rodeada de papéis, canetas e diários pareço distante e concentrada no trabalho.
Quem me olha vê aqui o protótipo da professora: caneta em punho preenchendo intermináveis quadradinhos, óculos escorregado para a ponta do nariz e as provas, exercícios e trabalhos que parecem avolumar-se em ritmo que não consigo acompanhar. Quanto mais os corrijo, mais deles surgem diante de mim.
Mas a expressão concentrada logo se suaviza e um sorriso teima em surgir. Penso em você neste momento. Em meio a pilhas de trabalhos, um nome insiste em se sobressair.
Um aluno analisa uma poesia de Brecht e me faz recordar noites de músicas e poesias sussurradas através do telefone. Penso no quanto Brecht é bom, em como o aluno foi feliz em sua análise e no quanto eu amo você. Penso também, logo a seguir, que está difícil me concentrar no trabalho quando minha alma está tão longe...
Faço uma pausa. Café (se estivesses aqui, me dirias para diminuir as doses), cigarro e pensamentos cheios de saudades...
Retorno aos intermináveis diários para abandona-los mais uma vez.
Escrevo-te uma carta...
Começo a correção das provas.
Interrompo e te ligo...
Chamo minha atenção para o trabalho que me espera.
Venho escrever esta crônica...
Vencida, me entrego às lembranças e adio o trabalho para um momento futuro quando sua presença não estiver assim tão forte.
O trabalho e a vida podem esperar; meu amor não.

AGRADECIMENTO

Hoje quero lhe agradecer..... Hoje e sempre....

Obrigada pela dor do abandono...
Se chorei a dor da partida foi porque tive a alegria de sua presença de forma bela e intensa.
Não fosse você, hoje eu estaria mergulhada no vazio do não-sofrer, do não-sentir e do não-amar.
Sua doce presença preencheu esta lacuna de minha vida.
Só chora a ausência quem conhece a alegria da presença.

Obrigada pelo fim do amor.
Sofro e me alegro ao mesmo tempo.
Amei, me acreditei amada, experimentei a glória do Olimpo e dos contos de fadas.
Só acaba o que um dia existiu, e você existiu aqui.
Nunca haver amado, nunca ter sido amada e desejada como fui.
Ai, ainda prefiro sofrer o fim do amor.
E que lindo amor recebi!
Se agora se vai, deixa carinhos e afagos que nenhuma eternidade jamais apagará. Marcaram indelevelmente este coração carente e criança.

Mas o que lhe agradeço, acima de tudo, é por me mostrar toda a beleza e plenitude de um sentimento que foi pura magia e sedução.
Onde toques e olhares nem sempre foram reais, mas que desvendaram esta alma completamente. Onde as palavras tocavam e acariciavam preenchendo vazios e completando-me.
Hoje retomarei minha caminhada. O que me falta de sua presença, me sobra em compreensão.
Percebo, após sua partida, que me tornei melhor. Melhor e mais forte. Força que aprendi contigo. Força que me sustentará sempre que eu sentir vontade de parar e olhar para trás.
Seguirei adiante e, se em algum tempo o amor me acenar mais uma vez, encontrará um sorriso luminoso em meu rosto.
Porque, depois de você, aprendi que o amor é alegria, ainda que fatalmente nos faça chorar.

SENHORA DA MAGIA

Venho das brumas e nevoeiros,
Do inconsciente dos sonhos,
Dos lugares passageiros,
Dos recantos mais tristonhos.
Não possuo beleza viçosa...
Não chamo atenção quando passo
Me assemelho a uma nebulosa
Passo... Repasso... Me desfaço...
Dividida entre dois mundos...
Realidade e fantasia...
Séculos são segundos...
Sou Senhora da Magia...
Busco a leveza dos sonhos,
E a pureza do eterno amor
Lagos e mares transponho,
Viajo nas asas de um condor
Minha busca é eterna...
Vivo à procura de mim...
Meu coração me governa,
A magia tornou-me assim
Sinto que alcanço meu lago,
Quando em seus olhos me vejo
Esperado e sonhado Mago,
Meu mundo começa em seu beijo
Minha magia se funde à sua,
Amantes eternos e sonhadores
Te quero meu. Me queres tua.
Somos dores, cores, amores
E as brumas se abrem ao sol,
Minha busca chega ao fim.
Seus braços são meu lençol,
Carícia delicada de cetim.

PREGUIÇA

Hoje acordei ao som do telefone. Não sei porque, mas ele insiste em tocar nas minhas horas de melhor sono, aquelas horas em que os sonhos são quase reais...
E aí, entre risos e carinhos, fui despertada pelo som do aparelho. E a pessoa nem quis conversar. Apenas desligou...
Creio que adivinhou que eu estava meio brava de ter sido acordada; nem se identificou.
Já me levantei com o corpo e a alma dolentes, sem vontade de fazer nada, apenas deixando a preguiça me envolver.
Me espreguiço gostosamente e deito mais um pouco, espero que o sonho retorne, mas é tarde, ele se foi... Fugiu assustado com o barulho.
Resta agora a saída de sonhar acordada, direcionar o pensar para aquilo que quero, deixar que as lembranças, acontecidas ou apenas sonhadas, me invadam e deixem meus olhos perdidos e enevoados.
Hum.... Gostosa sensação de sua presença bem pertinho, é quase palpável. Se eu esticar o braço poderei tocá-lo... Mas tenho preguiça...
Se fechar os olhos e me concentrar, poderei sentir seu beijo suave e com sabor de infinito... Mas tenho preguiça...
Deixei-me envolver pela inércia, fim dos movimentos rápidos, dos passos corridos ou da pressa em fazer tudo ao mesmo tempo. Quero a lentidão das cenas em slow motion... Suaves... Lentas... Saboreadas em cada detalhe... Sentidas em suas minúcias...
Cenas vividas na totalidade da lentidão com que são representadas...
E ter seu gosto na boca por séculos depois do beijo acontecido...
Ah doce Preguiça, não és pecado, és um carinho que podemos nos permitir para desacelerar a vida corrida. És premio merecido ao final de um dia, um ano ou uma vida de trabalho e realidades pesadas e sofridas...
Venha... Pode chegar... Será acolhida com alegria...
Deixarei-me possuir por ti... E também te possuirei...
Deixarei que me domine... E também te dominarei...
Permitirei que me enlace em seus braços lânguidos... E te abraçarei com igual languidez...
E hoje seremos amantes enamorados...
Só não me exija esforços grandes e feitos apaixonados...
É que estou com preguiça... Muita preguiça...