quarta-feira, 8 de agosto de 2007

MORTE DE SONHOS

Um dia, sem que estejamos preparados, talvez nem mesmo receptivos, eis que nos vemos grávidos de um Sonho.
Depois de fecundado dentro de nós, acabamos por acalentá-lo, mimá-lo de todas as cores e sabores de que somos capazes, por vezes até as que não poderíamos, mas tudo vale o esforço pra ver o menino crescer.
E ele cresce, toma espaços, empurra a Razão que fica a berrar que tenhamos cuidado, que ainda lhe voltaremos os olhos e veremos o quanto perdemos por deixá-la de lado. Sequer a escutamos, em completa indiferença. Tudo vale pra ver nosso pequeno crescer.
Vai tomando forma dentro de nós e o imaginamos a cada dia mais belo e o tanto que leva de nós.
É filho feito nos moldes da nossa felicidade, feito por nós, para nós...
Tudo parece perfeito até que a tal Realidade, a bruxa má que existe em toda história, aparece e começa a mostrar o quanto a beleza e perfeição do nosso Sonho não passou de cria de uma sua conhecida, a Ilusão.
Aquele que amamentamos com nossa esperança, que saciamos a sede com nossa paixão, que alimentamos com a despensa de amor e carências que tínhamos no estoque da alma, não passou de um engodo.
Só existiu no útero do coração que sequer pode pari-lo. O sonho abortou-se antes que lhe sentíssemos o calor, antes que pudéssemos acalentá-lo nos braços ou ver-lhe o rosto.
Morto, partido ou sequer parido, deixa no lugar das tantas esperanças e expectativas, a certeza de cicatriz perene, crosta bruta e feia, que fecha as portas para que neste corpo nada mais fecunde ou germine.
Solo estéril que espera a morte do viço enquanto vela os destroços do que sonhou...

Nenhum comentário: